30 Anos de Emoção - 2021

O Coro Cênico completa 30 anos de serviços prestados a arte em 2021. Um casamento com a música e o teatro. Um "trisal" do Bossa com a expressão músical e a cênica.

São 30 anos produzindo sua própria expressão artística, o Coro Cênico.

Na segunda metade dos anos 80, o país volta a respirar novamente ares democraticos  com o fim da ditadura em 85 e promulgação da Constituição de 88. Um ânimo renovado agita a sociedade. As artes também se libertam das amarras da censura do regime de exceção.

Embalados pelos novos tempos, manifestações artísticas de toda ordem buscaram mais espaço e afirmação. Os estudantes especialmente revitalizam a vida cultural.

A comunidade acadêmica da USP de Ribeirão Preto, que se identificava com o fazer em arte não vinculado a cursos regulares, encontrava na universidade, terreno fértil para a criação em música, teatro, fotografia, etc.  E através do braço extencionista da instituição, as atividades eram abertas a toda coletividade.

Esse é o tempo que nasce, em 1991, o Coral Sem Nome, saído do Madrigal Revivis, coro com tradição na Universidade em Ribeirão Preto.

E o Coral Sem Nome,  surge da inquietação. Da necessidade de avançar. Ir além da manifestação tradicional e clássica do canto coral.

Musicalmente, segundo o maestro José Gustavo, um dos  responsáveis pela transformação do coro,  a intenção inicial do novo núcleo era “juntar o universo jazzístico dos anos 40/50 com a canção popular brasileira, do mesmo período”.   Repertórios que já tinham sido executados anteriormente de maneira  independente. Para esse casamento buscava vias novas. Mais soltas. Caminhos que pudessem dar outras roupagens às interpretações.

Fernanda Cecchi, que integra o coro desde o início afirma que “já cantando Gershwin, Cole Porter, começamos propor um gestual, uma pequena movimentação. Já incorporávamos um formato diferente de cantar. Além dos ensaios normais do repertório, ensaiávamos também a maneira da apresentação afim de melhorar os movimentos e não ficarem sujos.

Todo esse envolvimento exigia um novo RG. E logo, como afirma Rita Paula, outra fundadora, “Começamos a procurar um nome para dar identidade ao grupo. Não foi tarefa fácil porque o nome representaria a digital, a singularidade”.

Depois de reuniões, brainstorming,  ainda segundo Rita,  buscando fazer jus a nova maneira de cantar,  ao nosso jeito de fazer, a nossa bossa, surgiu... porque não Bossa Nossa?

Assim o Coro Sem Nome, de curta duração, tornou-se Coro Cênico Bossa Nossa, já com direção cênica além de musical.

E logo a partir da primeira produção,  na visão de outro fundador, Vitor Ferraz “o grupo já não era uma ferramenta do regente,  mas um expressão dele próprio. O coro era mais autor daquilo que estava fazendo.”

Ou seja,  uma das primeiras decisões, que a opção pela concepção e estética coral cênica provocou, foi a substituição do maestro à frente do coro pelo regente de palco. Um participante do espetáculo com lastro musical e habilitado e pela direção musical.

Esse foi – e é – um diferencial significativo.

O Bossa buscando novos caminhos para ampliar e diversificar seu fazer artístico,  desvincula-se da USP em 2008 e se assume como sociedade artística.  Sociedade Artística Coro Cênico  Bossa Nossa. Abrindo perspectivas para buscar financiamento público, patrocínio privado, profissionalizando sua produção, capacitando  cada vez mais o grupo com a finalidade de ampliar sua atuação.

Hoje o Bossa produz quase que exclusivamente em coro cênico, sem prejuízo de participações em eventos, festivais, etc. através de breves apresentações musicais.  Registra suas produções em cd e vídeo e tem realizado encontros nacionais com a objetivo pesquisar,  fomentar e divulgar a modalidade coral cênica.